| Messi, a esperança |
| Qui, 20 de Maio de 2010 13:00 |
Acompanho Copas do Mundo desde 1958. Sou um iniciante feliz. Naquele momento dos anos 1950, vivi à distância, pelo rádio, a primeira conquista brasileira em copas mundiais de futebol nos gramados suecos do velho continente. Foi quando nos libertamos do “complexo de vira-latas”, segundo Nelson Rodrigues. Naquele ano este grande festival da bola completava a sua sexta edição, ressalvado o interregno imposto pela Segunda Guerra Mundial, de 39 a 45, que legou ao mundo do futebol um intervalo de 12 anos sem copas, de 1938, na França, até a sua retomada em 1950, quando o Brasil fez ecoar mundo a fora um rumoroso silêncio a partir do Maracanã.A primeira conquista do Brasil em Copas marca o início de um período de mudanças radicais em todo o mundo. O bicampeonato, em 1962 no Chile, partilhava internamente a euforia nacional com a firmação da Bossa Nova e o surgimento da Jovem Guarda, movimentos musicais conflitantes naquele início dos anos 1960, e que viriam, no final daquela mesma década, a se misturar a partir da Tropicália. Externamente, o comportamento social sofreria grandes modificações, com ênfase no cenário musical, com o surgimento dos Beatles e dos Rolling Stones. Nos gramados, em vista da revolução “canarinha”, o futebol também cobrava mudanças. Era preciso frear a possibilidade de uma terceira conquista brasileira. Em 1966, o mesmo chão de onde brotaram Beatles e Rolling Stones receberia a próxima edição da Copa do Mundo. E, se de um lado, a proposta dos garotos ingleses era de liberdade, alegria e encantamento, nos estádios que sediaram os jogos da Copa do Mundo, a força física e a marcação excessiva e violenta mostraram um futebol limitado pela postura marcial do rigor tático. E apesar da incomparável conquista brasileira no tricampeonato no México em 1970, do fabuloso time holandês de 1974 e 1978, da maravilhosa seleção brasileira de 1982, do extraordinário time francês de 1986 - copa na qual Maradona comandou com grande repertório de jogadas e nos mais variados estilos, a merecida conquista da Argentina - a edição de 1990, seria uma reedição de 1966. As seleções, quase sem exceção se arrastaram nos gramados da Itália numa Copa de triste memória. Cada vez mais, a partir daí, copas de seleções de futebol têm sido menos espetaculares dentro do campo e mais sensacionais do ponto de vista visual e virtual. Os interesses, vários deles inconfessáveis, em torno do grande mercado em que se transformou o futebol, transferem o encanto de outrora visto nos gramados, para estádios moderníssimos e acomodam negociações vultuosas, para as quais nem sempre os países sedes estão preparados e tampouco conseguem se preparar para atender. É o caso da edição que estamos por viver daqui a poucos dias na África do Sul. Mas, apesar dos pesares, sempre haverá um Cruyff, um Platini, um Beckenbauer, um Zico, um Maradona, uma dupla de Ronaldos ou um Zidane a nos encantar. Desta vez, a nossa esperança chama-se Lionel Messi. Silvio de Tarso – Comentarista Esportivo |

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